sábado, 26 de junho de 2010

quando fala a alma...

Pegando carona na frase que lhe dá título, sinto que este post mais vai parecer um trabalho de faculdade do que outra coisa: não consigo escrevê-lo, não sei como fazê-lo, mas ele precisa ser feito.

Quero falar sobre essa urgência. Sobre essa vontade incontrolada de vomitar, de cuspir, de berrar, de gritar, espernear, de dizer. Dizer. O quê? Dizer simplesmente por dizer? Não sei. Já não sei mais. Só sei que eu PRECISO dizer! Só sei que há esse caroço grudado, preso na minha garganta, um misto de vontade de choro engasgado com ânsia de vômito.

Sabe o alívio que se sente quando se vomita? Já imaginou estar vomitando por dias, semanas, talvez meses, e não sentir o alívio? E a explosão de caos no estômago e na sua cabeça continuam, sua garganta continua rija, tesa, se preparando para o desabafo final e... é sempre o penúltimo. É sempre ele, aquele último engasgo antes do fim. Mas o fim parece nunca chegar...

E nada satisfaz. Nada. Você tenta, tenta e tenta. Como eu estou tentando agora. Mas só consigo reler estas linhas e pensar... que porcaria. Mas dessa vez não quero voltar atrás. Só dessa vez. Me permitam só mais essa vez...

O problema de vomitar é que você sempre acaba causando desconforto em alguém. É nojento. É repugnante. E esse vômito linguístico que sinto não é muito diferente... O pior é saber que não só você causou incômodo mas... De repente, são tiros. Balas. Disparadas de mim para... Mim mesmo. Balas que parecem sempre bater em seus alvos e voltar de encontro a mim. Há uma redoma, fina, mas tão forte... Pensando bem, talvez seja o que eu mereça ao imaginar um diálogo na minha cabeça como um tiroteio.

Mas na sua cabeça você nunca quis atirar em ninguém, você nunca quis enojar ninguém. Você só esperava que entendessem... você PRECISA botar pra fora. E ainda assim... você sabe que a única coisa que você faz é criar um abismo cada vez maior. É como se para cada palavra proferida, a distância entre os falantes fosse de milhas e ela aumenta vertiginosamente. E com a vertigem... vem mais ânsia. Mais, mais, muito mais. Você sabe que o abismo vai aumentar mas você não consegue e você tenta se esticar e segurar com as duas mãos e toda a força que você tem... mas você carrega aquele nó na garganta por tanto tempo e ele aumenta cada vez mais e... Seu organismo finalmente vence e você bota tudo pra fora de novo.

E você bota tudo a perder de novo. As caras de incompreensão, de "quebra-cabeça", de "hein?", de nojo. Tudo o que você quer é fazer sentido. Tudo que você quer é ser compreendido. E aí você desiste. E aí você entrega os pontos e tenta ser educado e não vomitar no tapete alheio. Você segura até onde dá. Mas aí seu peito começa a doer, seus braços começam a ficar moles e de repente... A ânsia fica incontrolável. De novo. E de novo. E de novo.

Poderia dizer para sempre, mas não quero me sentenciar. Embora eu acho que a sentença já tenha sido proferida há muito, muito, tempo.

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Desenvolva a frase de Schiller: "Quando a alma fala, já não fala a alma."

Foda-se a explicação teórica. Foda-se o que a academia deseja que eu pense sobre esta frase.

Eu quero é saber o porquê. O porquê d'eu entender perfeitamente o que essa frase diz, num plano sentimental, emocional, racional, em todos os planos que conheço da minha existência.

O porquê d'essa frase mexer tanto comigo que eu não consigo sequer colocar em palavras o que eu sinto a respeito dela. E a respeito da maioria das coisas. Minha alma grita e se move para um milhão de direções ao mesmo tempo e só consigo reproduzir uma. E a dor de não conseguir reproduzir todas as outras 999.999 direções é HORRÍVEL. É lancinante. É como um pedaço de metal que corta breve a carne do meu peito e primeiro eu sinto o frio e um arrepio e depois tudo queima, arde, pulsa.

Por que o sangue desses cortes não corre solto e me mata logo, em questão de minutos? Por que ele tem que gotejar pouco a pouco? Até quando vou ficar assim?

Por que tenho esse anseio de botar a alma pra fora, de deixar ela falar, fluir, sair? Por que ela não se aquieta de vez dentro do meu peito, quietinha, como uma fera domada, ou pelo menos saciada?

Por que continuo enfiando os pés pelas mãos, tateando no escuro? Minha alma grita e me açoita por dentro, eu preciso tomar uma atitude, mas sempre que faço o que acho melhor, sempre que (me) exponho, digo, penso, expresso... Parece que alguém sempre sai ferido, além de mim, no fim das contas.

Então esse é o preço de buscar a minha paz? É vomitar veneno? Então talvez seja bom que minha fala crie abismos entre mim e o mundo.

E tudo o que eu queria era ser compreendido. E tudo que eu queria era acalento. E juro que não só pra mim. Mas parece que sempre termina em choro. Toda vez que abro a boca, alguém no mundo chora. E me dói saber que não consigo trazer paz para mim nem pra ninguém.

E se a dor de não conseguir dizer tudo é grande, então a dor de dizer 1/1.000.000 do que se tem pra dizer e mesmo nessa pequena parcela você ser incompreendido é... inominável. Inominável.

Será que ninguém consegue ver? Será que ninguém vai conseguir entender o que eu tô dizendo? Pelo amor de Deus, alguém precisa no mínimo ver que toda vez que a comunicação se parte, se racha, eu choro por dentro. Me expresso mal, sou mal-interpretado e fico doendo, doendo... Morrendo de medo e dor de pensar que um diálogo que deu errado pode ter uma infinitude de consequências drásticas, horrorosas e terríveis. E aí eu queria passar uma borracha e voltar atrás de tudo...

Por que a gente sente esse anseio de comunicar? De que adianta a linguagem ter nascido desse anseio de comunicar se a comunicação é sempre falha? E se... Talvez não faça sentido isso e me doa mais ainda por dentro por não ser compreendido, mas se a linguagem nasceu por que não nos entendemos, então o ideal seria não nos comunicarmos. Só consegue compreensão aquele que não diz nada.

E mesmo depois de ter escrito tudo isso, ainda sinto que falta mais coisas. Muito, muito, muito mais coisas! Quero pedir desculpas e não sei por quê, não sei pra quem.

Só sei que eu queria conseguir me calar. Não aguento mais. Quero um mundo preto e branco onde eu seja só lágrimas, cigarro e nada mais. Não quero falar.

Nós não falamos a língua, nós somos falados pela língua

ENTÃO ME DEIXA EM PAZ! NÃO QUERO FALAR, NÃO QUERO FALAR, NÃO QUERO FALAR, NÃO QUERO FALAR, NÃO QUERO FALAR! PARA DE ME USAR, PARA DE ME FAZER DIZER COISAS, PARA DE ME MACHUCAR!

E se existe Deus nesse mundo, hoje, pelo menos, me calo.


sábado, 12 de junho de 2010

Carta para meu ex

(Esse post começou como uma série de testimonials no orkut mas achei melhor postar aqui. Recomecei porque não consegui achar. Será que cliquei no "cancel" sem querer? Enfim...)

Oi. Passei pra ver como você estava.

Sei lá, tô bem sensível, acabei de levar uma rasteira bem forte da vida e tô aqui refletindo... Sempre que alguma coisa forte acontece a gente para pra fazer uma retrospectiva, né? Acho que é natural. Aí lembrei de você. E resolvi que queria te dizer algumas coisas... Espero que você não ache nada disso invasivo.

Tô muito feliz de ver que você tá bem! Tô muito feliz de ver que você continua bonito. Tô muito feliz de ver que você continua com aquele sorrisão de criança. Tô muito feliz de ver que você fez a tatuagem que tanto queria! Tô muito feliz de ver que você parece tá saindo mais, indo pra rua, encarando o mundo.

Tô muito feliz de ver que você, finalmente, tá na faculdade! Tô muito feliz de ver você dando um passo pra ser tudo o que você quer ser. Ou quis, né? Não sei, sonhos mudam. Mas independente de os seus terem possivelmente mudado, é um passo a mais pra provar pra você mesmo que... você nunca precisou provar nada pra ninguém. Mas espero que as descobertas dos terrores de uma universidade pública não te deem medo nem raiva. Sempre te disse que a universidade não era cor-de-rosa e a descoberta é frustrante mas necessária. Enfim, espero que você esteja ganhando mais tranquilidade com as experiências da facul.

Espero que você ganhe mais tranquilidade com a vida. Espero que você e sua mãe consigam se entender - não do jeito milagroso que eu, que sou um chato, hipócrita, pentelho e entrão queria. Quem sou eu pra querer alguma coisa por vocês? Mas que você consiga ter paciência com ela. Que se lhe faltar amor de filho para mãe, que lhe sobre compaixão.

Espero que essa depressão, essa maldita doença, finalmente lhe dê sossego. Ou espero que você dê sossego a ela - que consiga lidar com a existência dela, que consiga driblar seus artifícios, suas armadilhas e que você não a use mais de muleta quando ela na verdade é mais uma bigorna na cabeça do que um apoio para os pés.

Fico feliz de ver que você está se envolvendo com outro cara! Ele parece ser bacana. Desistiu de pegar urso versão light e voltou pro original, é? Hahaha... Vocês ficam muito bonitinhos juntos. E acho que ficar "bonitinho" é muito mais legal que qualquer outra coisa pra um casal, né? Melhor que ficarem "lindos", "combinarem muito", "parecerem ter muita química" (embora ter a química em si seja ótimo, sempre!) e essas coisas.

Espero que você e ele formem um casal saudável e feliz, pelo tempo que tiver que rolar. Que dure o tempo que tiver que durar e que ninguém saia (mais) machucado (do que deve). Que se ele tiver que ser o cara que vai te dar sua casa e batalhar os sonhos que você dividia comigo, então que seja tudo maravilhoso! Mas que se ele não for, que nenhum de vocês faça o outro sofrer. Que nenhum de vocês aja de forma cruel com o outro. Que nenhum de vocês jogue coisas na cara um do outro. Que nenhum de vocês perca a cabeça e perca a gentileza e delicadeza junto.

Acho que isso foi mais pra mim mesmo do que pra você... Me sinto muito culpado por minha parte no desgaste da nossa química. Prometi que seria forte, firme, paciente e... como sempre na vida, falei mais do que devia. Não pude bancar o que prometi. E é óbvio que isso já não é um problema - você está feliz com outro cara - mas ainda assim, me sinto culpado. Espero que você consiga me perdoar por isso um dia.

Que ele seja tudo isso que eu não pude ser - paciente e compreensivo. Que ele sempre possa e consiga te acalentar naqueles dias que nem mesmo um acontecimento sobrenatural ou sobre-humano consegue fazer seu choro - tão sincero, tão doído, choro de neném que sofre de verdade a ausência do peito da mãe ou do brinquedo, seu choro sempre arranhava meu coração de cima a baixo - passar. Que ele te ame muito, muito, muito.

Pensando agora, dá uma ponta de tristeza pensar que tenho que acompanhar sua vida à distância agora, mas acho que nós dois sabemos o porquê e não há o que questionar, né? Mas é muito esquisito. A gente curtiu tanta coisa junto... A gente passou por tanta coisa junto. Acho que você viu coisas em mim que talvez nem meus pais, que montaram esta porcaria de quebra-cabeça desengonçado, incompleto e pobre que eu sou, conseguiram enxergar qualquer vez na vida. E eu me inseri tão forte na sua vida, tão forte... E agora cá estamos nós, sem nos falar. Não que eu ache que devemos ser amigos - não é assim que funciona. Se for pra ser, então seremos, mas acho que não é isso que vai acontecer, né?

Mas queria que você soubesse que ainda sinto... Não sei, não é amor, não é carinho, mas tem um pouco dos dois. É um sentimento tão etéreo e como você é o primeiro ex que tenho, pra mim é algo muito novo. Só sei que é uma coisa boa. Mas ao mesmo tempo é triste, o que é estranho. Não deveria ser triste, afinal, nós dois estamos aí, vivendo nossas vidas e sendo felizes, genuinamente! (talvez eu deva me excluir dessa parte pois agora sou qualquer coisa além de feliz, enfim...) Mas é triste lembrar que... deu errado. Que o amor acabou. E não acabou só pra um, acabou pros dois, acho que na mesma hora. E mesmo com essa reciprocidade do fim... É triste. Será que é triste pelos sonhos que a gente teve que enterrar?

Os sonhos... O sonho de ser o "Doutor Araújo", né, senhor rouba-nome? O sonho de ter uma cara, um carro e cachorros. Possivelmente filhos. Não que nós ainda não sonhemos com isso (na verdade, eu não sonho mais com isso, mas espero que você ainda não tenha se privado desse sonho) mas agora é com outras pessoas, outras casas, outros cachorros, outros carros, outras vidas medíocres dentro desse sistema porco, outras viagens pra outros países (embora eu desconfie que o Japão e a Inglaterra ainda estejam no seu mapa dos sonhos), outras línguas a serem aprendidas juntos, outros bebês para mimar e dividir a experiência da paternidade...

Juro que tentei recontar na carta os nossos sonhos em conjunto, mas eram tantos, né? Acho que não consegui. Mas tenho certeza que você sabe. E se não se lembra, oh, tanto melhor pra você - não me incomodo de ficar de luto por essas coisas sozinho.

E, sabe, mesmo não me arrependendo de nada, talvez a palavra seja essa. Luto. Não me permiti ficar de luto por você, por nós. Sei lá, tive uma oportunidade de viver outra história com outra pessoa logo em seguida e... Não tive dúvidas. Entrei no barco. Enfim, acho que não condiz com esta carta dizer todas as implicações desta viagem, mas, pelo menos até o presente momento, tudo indica que ela também acabou. E agora eu estou aqui, na praia, olhando meu mar, sozinho outra vez.

E dentre as coisas que vejo, tem você... E queria que você soubesse que, por mais turbulento que tenha sido, não me arrependi do ano inteiro que tivemos juntos. Que não foi perfeito mas a gente deu o melhor de si pro outro. E é triste que nosso melhor não tenha sido suficiente mas... pelo menos não foi por falta de entrega, de companheirismo... falta de Amor não foi o que matou a gente. Então, acho que a gente pode seguir de cabeça erguida e consciência tranquila.

Queria que você soubesse que vou levar você sempre comigo, dentro de mim. Que você foi muito importante, mesmo, que eu aprendi DEMAIS (mesmo sendo prepotente e tentando te ensinar tanta coisa, hahaha! Mas juro que não foi por maldade) com você. E que, talvez... Talvez ninguém mais vai me amar do jeito que você me amou. Talvez ninguém mais vai se dedicar tanto a mim quanto você se dedicou. E que eu vou ser eternamente grato às forças que regem este mundo por você ter sido a primeira pessoa. A primeira pessoa que não só permitiu que eu tocasse sua alma como sentiu um anseio enorme de que isso acontecesse.

E aconteceu, não?

Jojo, você não foi meu marido, mas sempre vai ser meu primeiro namorado.

Se cuida!

quarta-feira, 8 de julho de 2009

Vida de Coadjuvante (A Tragicomédia do Menino Inho)

Sou um ator coadjuvante na peça da minha própria vida.

Quando foi a primeira vez que eu ouvi essa frase? Não sei... será que eu que bolei e não lembro? Hahaha mas se surgiu da minha cabeça ou não, isso não me importa muito. O que me importa mesmo é que eu já perdi a conta de quantas vezes disse ou pensei dizer essa frase.

Fato é: já não sei mais quanto tempo faz que não consigo dizer quem é Paulo. Quem é Paulo? Mesmo? Sabe, não é o famoso clichê do "não me conheço" porque, francamente, quem é que se conhece 100%?

Não, senhores, é muito pior que isso. É... não ter o que conhecer.

Vamos lá, vamos tentar colocar adjetivos no substantivo Paulo. Você consegue colocar "filho caçula problemático", "amigo semi-presente", "ombro amigo", "colega de faculdade ausente", uma infinidade de coisas. Tá, mas... o que essas coisas te dizem sobre o Paulo? Absolutamente nada, não é mesmo.

É... pois é. Você ter sempre que ter que ser conectado a imagem de outra pessoa, sabe? Quando será que foi que começou? Quando será que a minha vida passou a ser uma colcha de retalhos de todas as figurações que eu faço nas vidas alheias?

Acho que a primeira vez que isso me incomodou de verdade eu era bem pequeno, talvez novo demais pra entender o porquê ser chamado sempre de "irmão da Isa/do Victor/do Marco" me incomodava tanto. Mas fato é que incomodava. Não importa quantos beijos e apertões eu ganhasse das amigas da minha irmã e dela mesma - isso não mudava muito meu status de bibelô, de Homem Samambaia.

(E a vida é tão ridiculamente óbvia que anos depois ganhei o apelido Cenourinha.)

Isso me perseguiu por um tempo até eu simplesmente parar de me importar. Mas parar de me importar nunca mudou muito o fato de que os meus amigos todos sabiam o nome dos meus irmãos e isso me dava uma pontada incômoda de tempos em tempos...

Eu ia prosseguir falando das amizades, mas já que falei tanto da família e família é o início de tudo mesmo, não tem jeito, falemos da família: somos em quatro. Isa, a primogênita, a única filha mulher. Victor, o segundo, sempre foi o orgulho dos pais. Marco, o terceiro, era o capeta da família. Paulo, o caçula, sempre foi... o caçula.

Convenhamos que também não é justo com a minha irmã ser lembrada sempre como "a única menina" mas acho que na verdade isso foi mais preguiça minha de tentar descrever ela rapidamente. Mas acho que "a única mulher" diz muito mais (ou pode dizer) sobre uma pessoa do que o "raspa do tacho". Sabe?

Com o passar do tempo, consegui ganhar a alcunha do filho nervosinho. E, pra falar a verdade, sabe que eu tenho quase saudades dessa alcunha? Porque era uma marca minha, sabe? A gente vai crescendo e se enchendo de valores do que é certo ou errado e se podando e sendo podado e aí... pera, depois eu concluo isso.

E aí eu fui crescendo. E, como eu disse aí em cima, a gente vai aprendendo, vai se podando, vai aprendendo mais sobre regras da sociedade, essas coisas que todo mundo sabe. E aí eu passei a deixar minha marca! Eu era o Paulo. Eu tinha meus amigos. Eu tinha muitos deles, aliás (na minha cabeça, CLARO, no colegial é difícil entender sem noiar que certas pessoas são apenas bons colegas e que vão passar). E eu era legal! Juro que era!

Foi aí que eu devia ter percebido os primeiros sinais. Quando aqui ou ali alguém me acusava de "ser legal com todo mundo", de "nunca sair de cima do muro", de "fazer política da boa vizinhança". De ser "afetuosinho e mais nada."

Claro que não parece ter muito a ver, mas explico: é claro que muitas vezes eu tinha impulso de tomar partidos e ser mesquinho e estúpido como todo ser humano e meter o bedelho e dar pitaco onde não é chamado e ser ignorante e dono da verdade. Enfim, me chocar com as outras pessoas. Mas com o passar do tempo e com o conjunto de moral e bons costumes cristãos que foram sendo inseridos na minha cabeça... eu fui me podando. Eu tentava me tornar um apaziguador e... quantas vezes eu não engoli muitas verdades? Sei que comecei a perder a conta. É um processo tão natural pra mim que às vezes quando me dou conta já tô fazendo, botando panos quentes em cima de tudo.

Ou seja: no meu esforço em ser legal com todo mundo... quem será que eu realmente consegui tocar? Pense você, com 15 anos, tem uma daquelas brigas escrotas de colegial com alguém e o seu amigo decide que... bom, que você tem que se acalmar, beber uma água e não se pronuncia muito sobre o assunto... você não ficaria puto? Pois é. Isso aconteceu algumas repetidas vezes comigo... eu era o amigo que botava panos quentes. Sempre.

Tem outra frase que eu acho que nunca verbalizei mas sempre pensei: when you fit in everywhere you don't belong anywhere. Nossa, perdi a conta de quantas vezes eu me sentia carta fora do baralho, repentinamente, uma roda, muitas risadas, BAM! De repente eu não tava legal. De repente eu queria ir pra casa ouvir música. E eu às vezes ia. As lágrimas vinham...

Mas elas nunca rolavam. Nunca nunca nunca. Eu me acostumei sempre a tentar esfriar as coisas que eu já não tava conseguindo exteriorizar nada. Eu botava uma música animada, jogava um jogo no pc, pronto. "Passou".

E foi assim... assim eu me virei e cheguei até a faculdade! Vivo! Assim, uns arranhões, mas vivo.

Uns arranhões, muito poucos, o que é uma pena. Mesmo. Cheguei na faculdade me sentindo tão... cru. Passei a minha adolescência inteira sendo o filho coadjuvante exemplar, o amigo legal, o cara que NUNCA se envolvia com ninguém, homem ou mulher... o que de fato tinha acontecido de interessante comigo? Qual era o adjetivo que me descrevia?

(nossa, é bizarro como certas coisas agora parecem tão óbvias, tão óbvias... pqp)

A faculdade, por um lado, está me fazendo abrir os olhos para muitas coisas, mas, por outro... ignorance is bliss. Não foi na facul que meu "calvário" começou, mas certamente é essa a impressão que fica.

(e aqui o narrador se mistura, se perde no mofo... perde consciência de si. Ele é autor, é ator, é personagem, ele é o palco, é a peça... ele busca o nada e ironicamente se torna tudo. e nisso se perde e tenta abraçar o tudo mas sente ele voltar ao nada do mofo... o narrador se sente ainda mais vazio)

Sabe, caras como eu, coadjuvantes, se dão muito bem na escola, definitivamente. Não vou entrar no mérito "amizades de colegial são de aparência" porque eu de fato não creio que seja simples assim e eu ainda não tenho "tempo de formado" suficiente pra refletir muito bem sobre esse assunto. Mas convenhamos que a convivência forçada, de uma maneira ou de outra, ajuda muito. Afinal, você tem um cara lá, um bonequinho, um menininho todo "inho": bonitinho, legalzinho, inteligentezinho, engraçadinho, educadinho... você pode até não gostar muito do Menino Inho, mas, aah, convivendo com ele de segunda a sexta, pelo menos um coleguismo bacana surge, né?

Sem contar as matérias em si: tudo mastigadinho e o Menino Inho, inteligentinho, come tudo direitinho. Claro, ele é folgadinho, então não faz as lições de casa, mas isso só contribui pro perfil dele de engraçadinho...

Na faculdade, a realidade é brutal: ninguém quer saber do Menino Inho. Os professores não precisam ou desejam lidar com alunos interessadinhos; os colegas, cansados da vidazinha dos Meninos Inhos do colegial, querem tudo o mais ÃO possível.

Mas o Menino Inho, é claro, fica apenas chateadinho...

Fato é que depois de um certo tempo, alguém vê um brilhozinho no Menino Inho... e aí de repente, lhe oferecem uma segunda chance. E, pulando muita coisa, cá estamos.

Será que esse é o Ato Final do Menino Inho? Mas antes precisamos entender o que foi que aconteceu com o pobre Menino...

Assim como não lembro como tudo isso começou, me lembro muito menos quando foi que isso tudo me encheu.

Acho que eu tava no ônibus, indo pra Sorocaba. Tava um calorzinho chato, era noitinha e tava caindo uma chuvinha.

O Menino Inho é tão fraquinho que bastou uma chuvinha, né? Risos...

Mas de repente o ator por trás da maquiagem (agora borrada pela chuva) de Menino Inho se viu surpreendido no palco. Ele perdeu a concentração e não conseguiu improvisar nada e se refugiou atônito na cochia.

Lá ele se lembrou de todas as rodas de conversa em que ele estava lá apenas pra proporcionar risadinhas à platéia. E lembrou de tantas outras onde ele tentava dizer alguma coisa um pouco mais relevante que risadinhas, ironiazinhas e - BAM! - solenemente ignorado.

Sabe, o ator não é interessadinho. Ele é interessadÃO e talvez exatamente por isso ele seja apenas um coadjuvante: ele não quer saber apenas seus caminhos, mas o dos outros também. Sem hipocrisia, claro: isso provavelmente é fruto de uma curiosidade primordial, sem explicação, juvenil, infantil, uma sede de "?", o ator não é a Madre Teresa. Talvez seus motivos sejam egoístas e um pouco hedonistas às vezes, mas o ator não é egocêntrico.

E assim o ator aceita representar seu personagem famosinho em uma, duas, três, cinco, dez, duzentas peças, mil palcos diferentes...

E aí, no ônibus, o ator, que sou eu, finalmente chora. Claro, depois de anos representando o mesmo papel, ele leva muito dele consigo, então, na verdade, foram uma ou duas lágriminhas escorrendo de seu rosto. Mas o ator se vê sem chão. Depois de anos fazendo sucessinho, ele perdeu o tesão em representar seu personagenzinho.

Ele sabe que, culpa, responsabilidade, seja lá o que for, é dele. Claro, ele quem escolheu... mas ao mesmo tempo, será que deixar tudo pra si e ficar tudo por isso mesmo não é algo, digamos... facinho?

As pessoas sempre esperam umas das outras, fato. Podemos mudar "o que", "quanto", "como" esperar, mas esperamos, sempre. Feliz deve ser o ser humano que genuinamente não tem expectativas (não aquele que se priva de tê-las), por isso não se decepciona e não é surpreendido. Claro que, por isso, não existe ser humano feliz, não nesse planeta.

E o ator percebeu que ele sempre se esforçou, em vão, para não esperar nada em troca das pessoas. No seu esforço para representar um personagem bonzinho ele não lavou a parcela "má" (por falta de palavra melhor) de si, ele apenas a varreu pra debaixo do tapete.

E, bom, se dissemos que o ator havia perdido o chão, logo, o que segurava todas as coisas escondidas entre o chão e o tapete?

E ele se refestelou. Não que fosse muito bonito se orgulhar dos defeitos mas tentou os abraçar mesmo assim. Não é isso que todo mundo faz? pensou o ator. Ele estava cansado de não se encaixar em lugar algum.

E aí está o ator: sem chão, envolto numa nuvem cinza de fumaça. Ou seria verde de mofo? Sim, talvez verde escura, meio palpável, repulsiva, de mofo. De tantas coisas que ficaram escondidas sabe se lá por quanto tempo... Ele não gosta do mofo. Mas agora, ele precisa do mofo.

E ao inalar pela primeira vez o mofo, seu nariz arde mas... seu corpo amolece. Se enche de calor, de espírito, de Deus. Inalar o mofo era comer a hóstia.

Mas ele não queria comer a hóstia. O ator estava dividido entre a cristandade e o ser pagão. Mas será que isso tudo tem tanta diferença assim?

Uma batida na porta e o ator acorda do transe. Ele resmunga, se incomoda por ser importantezinho a ponto de ninguém mais se lembrar sequer de bater. A queimação breve, muito breve, estranhamente breve, anormalmente breve, desumanamente breve, da raiva se mistura por centésimos de segundo à fome roncando no estômago. Num estalar de dedos, a porta se fecha de novo. E ele se entrega ao transe de novo... que importa se o mofo existe ou deixa de existir? Eles todos iam ver, iam ver só.

O ator, por breves preciosos momentos, tinha conseguido se libertar dos pesados grilhões que também eram criação sua, somente sua, mas doíam tanto!

Cada elo foi forjado durante toda palavra engolida em seco, todo sorriso não só de meia intenção mas de meia intensidade, toda vez que ele queimava sozinho. (depois a queimação parou e o vermelho virou cinza...)

E ele se permitiu e se refestelou na sua condição de mortal e se lembrou de uma cena de um filme com Nicole Kidman e Anthony Hopkins...

Pra quem não conhece de fato o perdão, às vezes é necessário aprender o não-perdão. Ou, talvez, primeiro aprender a se perdoar por não saber perdoar e assim se aceitar. O ator estava cheio de expectativas, cheio de dúvidas, cheio de mofo. Nunca mais ele guardaria mofo debaixo do tapete.

E pela primeira vez em muito tempo, a vermelhidão voltou e o estômago queimou mais devagar. Ele se permitiu o masoquismo da raiva e deixou a "gastrite" funcionar por mais algum tempo... ele se perdoou. Ele fez um esforço, mesmo que pequenininho, pra dar a eles o que tinha de melhor. Agora eles iriam ver o que ele tinha de pior.

quarta-feira, 21 de janeiro de 2009

vagalumes no escuro

Wake up, get ready to go
Pick up your clothes from the floor
Before another fight
Breaks out---

As I lay staring the moon
I hope this will end soon
Before my tears fall
I smile---

It's time I stop hunting
Fireflies in the dark
The tiny glow in the palm of my hand
Quickly fades, I'm on the hunt again

My wings---
Where are they now?
I do want to fly with you
And shine in the dark
But what if I fade?
What if I fall prey
To your web of deceiving
And die believing
That you're entangled
(When I'm entangled)
I'm entangled
(Dear, I'm entangled)

You lost yourself in the dark
Guess who's right there behind you
I can't seem to follow
I've lost my spark---

The night gets colder
And before it's too late
The fireflies surround me
Giving me warmth---

And as I leave the shadows
The truth lights up a fire
The fireflies are dead
I've been left behind

It's time I stop hunting
Fireflies in the dark
The tiny glow in the palm of my hand
Quickly fades, I'm on the hunt again

My wings---
Where are they now?
I do want to fly with you
And shine in the dark
But what if I fade?
What if I fall prey
To your web of deceiving
And die believing
That you're entangled
(When I'm entangled)
I'm entangled
(Dear, I'm entangled)
You're not entangled
(I am entangled)
I'm entangled
(I'm entangled)

I've let fireflies
Set the lights in my heart
Thought I had wings in my soul
But their buzz confused my mind

I've killed
The fireflies----
Who's gonna save me now
From the truth, somehow
I'm still entangled
(So damn entangled)
So damn entangled
(I'm still entangled)

Who's gonna save me now
(From the truth, somehow)
Who's gonna save me now
(From the truth, somehow)
I'm entangled
(I'm entangled)
I'm entangled
(I'm entangled)

It's time I stop hunting
Fireflies in the dark

Fireflies in the dark

Fireflies in the dark

Fireflies in the dark

Fireflies in the dark

Fireflies in the dark

Fireflies in the dark

Fireflies in the dark

Fireflies in the dark


Fireflies in the dark


Fireflies in the dark


Fireflies in the dark


Fireflies in the dark...

quarta-feira, 26 de novembro de 2008

Confesso, sou um viciado

1 - Viciado em computador.

2 - Viciado em arranjar dores de cabeça pra mim.

3 - Viciado em nicotina.

4 - Viciado em preguiça.

5 - Viciado em enfiar o semestre no cu.

AAAARGH! Alguém me dá um cigarro, por favor, preciso de algum estímulo pra ler essas drogas desses poemas T_T

Beijos,
Paulo

terça-feira, 25 de novembro de 2008

Você sabe que sua vida está meia-boca quando...

... quando você se identifica com uma música da P!nk. ;P

Mas, é. Fim de ano, sabe, aquela coisa... reflexão sobre o ano que foi e a pressa pro outro chegar. Só que, se for assim, o fim do ano chegou muito mais cedo pra mim porque eu não vejo a hora do segundo semestre finalmente acabar. O que dá um indicativo de, talvez, as promessas de fim de ano sejam menos fake pra mim. Ou talvez que eu decida começar o ano sem me prometer nada. Sei lá. Como já me disseram um tempo atrás, eu ando por aí com essa cara de transição e tem um tempo já... E acho que em parte é culpa do meu marasmo. Por exemplo, embora eu diga que vou tentar não esperar nada de 2009, eu to esperando o ano acabar pra fazer alguma coisa. Saca? E, bom, confessando, eu já me senti culpado por pensar assim, mas agora é um tiquinho de culpa por NÃO estar me sentindo culpado. Fez sentido? Enfim, pelo menos já é uma mudança... me sinto uma pessoa muito previsível então é bom variar de vez em quando... nem que seja pra pior! xD (tá, brincadeira *bate na madeira três vezes*)

(Voltando com a minha mania de abrir parênteses... esse post tá meio escarrado, né? Me perdoem, geralmente não escrevo assim, é que não pensei muito antes de escrever esse. O que talvez seja bom, porque é uma maneira de cortar o marasmo e escrever com mais frequência, RRRRÁ! Mudando meu mundo, um post no blog de cada vez. Depois vamos progredindo pra coisas maiores e [talvez] mais significantes. Afinal, reflexões são muito significantes e o que é um blog além disso? Poderia ser de fofoca, mas, te dou um dado: eu não sou o Te Dou Um Dado nem tenho vontade de ser. -q)

(Outro parênteses... meus posts são muito metalingüísticos. E minha cabeça também funciona assim. DDA? Por isso talvez eu pareça tão confuso às vezes. Mania de fazer conexões bizarras. Falando nisso, preciso tirar meu pão da chapa. -Q)

Enfim...

Não quero [mais] ser o cara que dá a risada mais alta
Ou o cara que nunca quer [ou sabe] ficar sozinho
Não quero ser aquela telefonema das 4 da matina
Porque vou ser o único cara que você conhece que não voltou pra casa

O Sol me cega
Virei a noite de novo
Estou descobrindo
Não é assim que quero que minha história termine

Estou são e salvo
"Aqui em cima"
Intocável
Porque será que parece que a festa acabou?
Não sinto
Mais dor
Me sinto protegido
Como me sinto tão bem estando sóbrio?

Não quero [mais] ser o cara que tem que preencher o silêncio
O silêncio me assusta porque nele a Verdade grita
Por favor não diga que já conversamos sobre isso
Pois não vou me lembrar, não gaste suas palavras à toa

A noite me chama
E sussura suave no ouvido "vem brincar"
Eu estou caindo
E se eu cair, só tenho a mim pra culpar


Acho que ainda não cheguei nesse nível. Principalmente no nível do refrão, devagar aí, Pink, rs. Mas acho que tô chegando lá. Ou deveria estar. Enfim... Realmente cansei de ser o cara que tem medo de ficar sozinho. E o pior é saber que eu NÃO era assim. Sei lá o que aconteceu... A verdade na frente do espelho é tão mais difícil de encarar do que a gente pensa, não é mesmo? A real é: perdi foco. E até na hora de perder o foco eu perdi o foco de novo. -q

A questã é: tenho colocado mudanças que eu PRECISO fazer e relacionando elas a outras pessoas. Não. Cabe a mim cuidar de mim e o resto... o resto vem pela gente, ou num lance dos dados divinos ou seja lá o que for, escolha você sua tese favorita, mas só posso cuidar do meu nariz, né?

Semprei achei que eu fosse mais infantil do que eu pensava. Mas acho que... sei lá, talvez eu seja alguém maduro tentando brincar de ser criança. Leonino medroooso rs. Aaaanyway. Vou quebrar esse marasmo. Um dia... e preciso parar de dizer que eu preciso fazer coisas. Talvez assim eu consiga finalmente me desvencilhar delas. Fico colocando milhões de obstáculos e coisas pra fazer na minha frente e é aí que a preguiça junta com o medo e fode a balada toda.

Vou terminar o post antes que eu comece a viajar demais mais mais. O posto começou bem e foi definhando, pra variar rs. Enfim, pareço estar pra baixo, mas eu to bem, juro juro juro, hoje foi um dia bacana e tudo mais. Não precisa morrer de preocupação, irmã rs.

Beijos,
Paulo

segunda-feira, 24 de novembro de 2008

Reflexão do Dia

Própolis tem cheiro de catarro.

(diria também que tem cheiro de baba, mas aí a gente cai na lógica Tostines... as pessoas ingerem própolis, portanto, não sei... própolis tem cheiro de baba ou [certas] baba[s] tem cheiro de própolis?)

E, sabe, revoltante. Mel, beleza, sabe, pode até ser proveniente do cocô do pulgão (não lembro se era assim que a banda tocava... NÃO! quem come cocô de pulgão são as formigas, não as abelhas, enfim...) mas ainda é docinho, agora de quem foi a idéia BRILHANTE de usar uma secreção nojenta das abelhas pra tratar dor de garganta?

Aliás, quem foi que inventou a dor de garganta?

Cu.

Bjos,
Paulo